Por aqui e por ali ...

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Presente, num espaço magnífico e num tempo de esperança no futuro!
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A NOVA MENINA

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UMA NOVA MENINA CÁ EM CASA...


Desde o dia 09 de dezembro de 2016 que tenho uma nova menina cá em casa, para cuidar, admirar e fazer muitas festinhas ... ;-)




















Guitarra portuguesa. modelo de Coimbra, construída pelo meu querido amigo Manuel Ribeiro durante os anos de 2015 e 2016 na sua casa no Escoural - Cantanhede.

O construtor no momento da entrega




















Pormenores da construção em: 
https://www.facebook.com/manuel.ribeiro.100/media_set?set=a.10207569191368888.1263252027&type=3






























Para quem gosta destas coisas:
  • tampo em espruce
  • fundo/ilhargas em pau santo
  • braço em cedro das honduras
  • escala em ébano
  • leque FANAN
  • cavalete em osso de vaca

Não posso deixar de fazer referência à minha outra menina, que está cá em casa à alguns anos...
Tenho agora duas meninas, a juntar às outras duas, para amar.

Guitarra da direita construída por Fernando Meireles, 1989













Agora, só para que fiquem com água na boca.... deixo-vos com uma pequena pérola.
O Mestre e amigo Paulo Soares, a quem não posso deixar de agradecer mais uma vez pela sua eterna paciência para me aturar ...



Nota: A fraca qualidade da gravação, que não da execução, apenas a mim se fica a dever. Desde já o meu pedido de desculpas ao executante e ao construtor.

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domingo, 7 de abril de 2013

MUSICA POPULAR

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MENINA ESTÁS À JANELA.

Uma introdução à musica popular, com arranjo de António Portugal.














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domingo, 6 de dezembro de 2009

Coimbra

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GUITARRA!


Há em todas as mãos uma guitarra e em cada garganta uma canção, e são apenas alguns que tocam e cantam. Isto não quer dizer que o fado não esteja dentro de todos aqueles que um dia viveram e amaram Coimbra".



Manuel Alegre


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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Canto a Coimbra - II

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FADO DE COIMBRA - ORIGINAIS

Ainda a propósito do meu Post de 14.MAIO.2009, em que referia a oportunidade de colocar online, as peças originais do nosso Grupo de Fados, ao tempo:

- INDICATIVO, instrumental da autoria de Fernando Paulo e Henrique Simões;





- AMOR ETERNO, Letra de Alcides Cruz e Música de Henrique Simões e Fernando Paulo;





- SAUDADE QUANTA SAUDADE, Letra de Henrique Simões e Hermínio Tomé, Música de Henrique Simões e Fernando Paulo;





- COIMBRA MEU AMOR, Letra de Henrique Simões e Música de Henrique Simões e Fernando Paulo.





Espero que apreciem.
Brevemente conto colocar online mais algumas musícas do CD, incluindo um novo ORIGINAL do Grupo, que estamos a ultimar.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Coimbra

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FADO/CANÇÃO DE COIMBRA

Um dos mais belos fados/canções de Coimbra.
De sempre!


ROMAGEM À LAPA
Letra: Leonel Neves
Música: João Gomes


Se um dia a vida parasse
E a gente voltasse
ao tempo que Havia

E se o Mondego passasse
E a todos levasse
a um velho Dia

Talvez a Lapa cantasse
E em pedra gravasse
a nossa Alegria

Talvez a Lapa sorrisse
E á pedra se ouvisse,
Olá Poesia !


Se agora o rio pudesse
Juntar quem padece
de tal Nostalgia

E tanta gente viesse
Sem sonhos nem preces
e sem Rebeldia

Talvez a Lapa chorasse
E em pedra gravasse
a nossa Agonia

Talvez a Lapa sofresse
E á pedra dissé-se,
Adeus Poesia !


Onde ver/ouvir:
Aqui 1
Aqui 2
Aqui 3
Aqui 4
Aqui (a partir do minuto 5:00)
e aqui 6.


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domingo, 30 de agosto de 2009

Musica em Agosto II

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AMIEIRA DO TEJO - NISA


Precisando o post anterior, foi na bonita terra de Amieira do Tejo, freguesia do concelho de Nisa, onde ontem estivemos presentes. Espectáculo integrado nas Festas da Freguesia e da Senhora da Sanguinheira.



Tocámos neste belo monumento nacional, um local magnifíco e cheio de significado histórico para aquela gente e para Portugal.




Podem encontrar mais informação por aqui:
http://amieiradotejo.blogspot.com/
http://jornaldenisa.blogspot.com/
http://concelhodenisa.blogspot.com/
http://amieiradotejo.home.sapo.pt/
http://cathedral.lnec.pt/portugues/amieira.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amieira_do_Tejo


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sábado, 29 de agosto de 2009

Musica em Agosto

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Canto a Coimbra - Grupo de Fados e Canções de Coimbra

E lá vamos nós hoje até Nisa.
Deve, muito provavelmente, ser o último espectáculo deste verão.






Estamos todos a necessitar de recarregar as baterias. Nem todos têm ainda idade - e saúde - para saídas nocturnas contínuas.

Desde já uma palavra de especial agradecimento para o nosso amigo (Cantor e Guitarrista) Fernando Bogalho Simões.



Apesar dos seus muito afazeres, profissionais e pessoais, não quis deixar de nos ajudar.
Muito Obrigado, amigo.

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Breve Historial do Grupo

O Canto a Coimbra tem a sua génese em 2003, na altura integrado na vertente cultural da actividade do Clube Recreativo “O Vigor da Mocidade” de Fala – S. Martinho do Bispo (Coimbra), com o nome de Grupo de Fados do Vigor da Mocidade.
Os ensaios eram realizados na sede do próprio clube e coexistia com um grupo de Fados de Lisboa, partilhando também o nome.

No mesmo ano de 2003 é decidido alterar a sua designação para Grupo Amador de Fados “Fado Menor”, continuando a partilhar a sua formação com o Grupo de Fado de Lisboa. Faziam parte da “vertente” de Coimbra: Fernando Paulo e Fernando Geraldo, na guitarra portuguesa, Henrique Simões, na viola de fado e Fernando Simões, Mário Dias e Alfredo Lemos, no canto.

É com esta formação que é realizado o primeiro grande espectáculo, a 13 de Junho de 2003, em Antanhol – Coimbra, seguido de um outro em Setembro desse mesmo ano, no pavilhão do Vigor da Mocidade (Fala – Coimbra).
Pouco tempo depois e ainda no ano de 2003, a composição do grupo sofreu algumas alterações. Na guitarra portuguesa sai Fernando Geraldo e no canto, Hermínio Tomé substitui Mário Dias. O local de ensaios é também alterado em 2004, passando estes a decorrer na “Adega” da casa do Sr. Alfredo Lemos em S. Martinho do Bispo – Coimbra.

Em 2005 o nome do grupo sofreu a sua derradeira mutação, passando a partir dessa data a designar-se Canto a Coimbra – Grupo de Fados e Canções de Coimbra.

A partir desse ano a actividade do Grupo teve um acréscimo significativo, tendo vindo a realizar inúmeras actuações em festas, convívios e de animação em restaurantes, etc., contando sempre com a prestimosa colaboração, no canto, dos nossos amigos Alcides da Cruz e Fernando Simões, e nalguns espectáculos com o Grupo de Fados de S. Martinho (Fado de Lisboa).

Em 2007 (Setembro) realizámos um espectáculo na Sé Velha (Coimbra), local privilegiado e mítico para o Fado e a Canção de Coimbra.

O Grupo orgulha-se de, graças a um espírito investigador e criativo, ter composto alguns temas inéditos e que são, além do Indicativo musical, os fados Amor Eterno, Saudade Quanta Saudade e Coimbra Meu Amor, num CD entretanto registados.


O «Fado de Coimbra»
«é uma canção terna, docemente saudosista, mas jovem no seu vigor, no idealismo das atitudes, na esperança dum amor realizável que se oferece, ao mesmo tempo espontâneo e elaborado, de melodia bem contornada e, simultaneamente, um pouco rebuscada e, por vezes patente.» – Francisco Faria.


Coimbra, Abril de 2008


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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Curiosidade

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CURIOSIDADE ... Curiosa!

Nesta cassete ("cartridge") de que não sei, nem consegui obter, a data de edição (edição made in USA) de Fados de Coimbra, consigo vislumbrar (pela leitura dos documentos de apoio) um conjunto apreciável de curiosidades, curiosas!!!!





Senão reparem:
  • A edição é de Fados de Coimbra;
  • O Trio de Guitarras que gravou as peças é o Trio de Guitarras de Fontes Rocha (Lisboa);
  • Os "fadistas" deviam ser do melhor para a época, pois senão vejamos:
- José Borges, nasceu em Lisboa e no hobby do canto, ganhou um concurso e "pimba", a sua especialidade já era cantar Fados de Coimbra;
- Plinio Sérgio, nasceu no Barreiro, já canta desde 1951, participou em inúmeros programas de TV (que julgo só nasceu em PT em finais dos anos 60) e rádio e "especializou-se" em cantar Fados de Coimbra;
- Valentina Félix, nasceu no Algarve, começou a carreira de cantora aos 17 anos (apesar de nesta altura já ser uma das mais novas cantoras profisisonais de Lisboa) num grupo de Jazz e agora deu em cantora de Fado de Coimbra.



Da Track List constam assim 12 peças, algumas delas hoje em dia clássicos do fado/canção de Coimbra.

Não sei a qualidade das músicas, nem da gravação (que suponho para a época devia ser boa - aliás já diz ser Stereophonic), apesar de no site referido abaixo (fonte) se conseguir ouvir um excerto (pequeno) de cada peça, mas não custa nada a acreditar que pelo sexteto que nelas participou, devia ser do melhor que existia em Lisboa, a cantar Fado de Coimbra ....

Reparem pois como o Fado ou Canção de Coimbra desde sempre foi tratado.
Apesar de ser um "produto" apetecível ...


Fonte: http://www.folkways.si.edu/albumdetails.aspx?itemid=2574

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sábado, 30 de maio de 2009

JORGE TUNA

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JORGE TUNA: A GUITARRA MÁGICA

Do meu baú das recordações estudantis e a propósito de uma entrevista (cujo título é o acima transcrito) concedida por Jorge Tuna ao Jornal "As Beiras", edição de 1/10/2004.



Esta entrevista mostra o quanto podemos amar uma causa e a ela ser-mos fiéis.

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Como complemento a esta informação, retirei do site http://guitarradecoimbra.blogspot.com (http://guitarradecoimbra.blogspot.com/2005/03/jorge-tuna-guitarra-de-coimbra_18.html) este "pedaço" da história da Guitarra e de Coimbra:


Sexta-feira, Março 18, 2005

Jorge Tuna - A Guitarra de Coimbra. Disco gravado em 1989 e reeditado em CD no ano de 1997 pela etiqueta Jorsom. É um disco com Jorge Tuna novamente no seu esplendor.
Travei conhecimento com as suas primeiras peças, quando andava ainda no Liceu. Como é possível tocar e compor assim, pensava eu! Era um arrebatamento ouvir Jorge Tuna. Com uma dedilhação a raiar a perfeição, era um espanto ouvi-lo, na rádio, tocar aquelas variaçõres do Artur Paredes, como o Ré maior, por exemplo. Soavam-me melhor que tocadas pelo autor! Estavam revestidas de punhos de renda, sem no entanto lhes faltar a força e a garra do Artur Paredes. Que pena não as ter gravado em disco. E as gravações da Emissora Nacional, onde estão? Ouçam-se as "Variações de Coimbra" de Afonso de Sousa. O próprio autor não se coibia de declarar que as tocava melhor que ele. Mas o "Mi menor", o "Lá maior", o "Si menor" e a "Rapsódia de Fados" eram monumentos à Criação. Estava a nascer uma nova “escola". E veio para ficar.
Hoje é vulgar ouvir dizer-se: "toca à Jorge Tuna". E tem três aspectos esta afirmação: pode referir-se ao conteúdo, à maneira de tocar, ou às duas premissas em simultâneo.
Neste disco saliento “Música Breve”; é uma daquelas peças que me faz abstrair de tudo e escutá-la somente. Excitante de início, tranquiliza-nos numa notável passagem a menor e acaba levando-nos ao século dezoito e aos seus alaudistas. Em “Os Saltimbancos” saliento o belíssimo trabalho do meu grande amigo Durval Moreirinhas. Por vezes até se pensa estar perante um guitarrista de formação clássica.
Muito mais haveria para dizer. Estes vinte anos de silêncio de Jorge Tuna não o fizeram perder qualidades. Continua a ser a mesma “escola”. Só os temas são agora mais românticos, mais descritivos.

Vou transcrever o que António Almeida Santos anotou para este disco:

A guitarra portuguesa está longe de um ponto de chegada. É, de facto, um filão por descobrir. Quando tentar a travessia da música clássica, que a homóloga espanhola conseguiu com êxito, pode atingir os longes que atingiu a harpa. Faltou-lhe, até agora, esse mínimo que se deve a um instrumento, que é o ser tocado por quem sabe música e não apenas a sente. Salvo excepções contadas, a guitarra portuguesa tem feito o seu caminho à revelia do solfejo.
Mas quando se a ouve gemer pela mão e pela alma do Jorge Tuna, percebe-se que está nela um “velo de ouro” a conquistar. Não há, neste disco, uma asperidade; nem uma só concessão ao êxito fácil da forma sobre o fundo; nem a tentação do já ouvido, tão frequente na criação musical.
Contribuinte deste resultado é o acompanhamento do Durval Moreirinhas, que trata por tu a viola e conhece como poucos o segredo da sua subalternização à guitarra. A ausência das praxísticas segunda guitarra e segunda viola, se adelgaça o volume dos sons, reforça~lhes a justaposição.
Repete-se, com este disco, o milagre de Orfeu: por momentos, rouba-nos aos infernos da vida. E não menos o milagre sinalagmático do Dr. Fausto: no equador da vida, este professor – médico dos corações – rebela-se contra as rotinas da profissão e cura as resignações do próprio. Só que a coramina é outra: sacode o pó da velha guitarra, desenferruja os dedos e, com surpresa, reencontra intacta a alma.
O que agora criou é do melhor de sempre. E também do melhor de sempre que em Coimbra se fez. Há composições neste registo que vieram para ficar.
Não põem problemas? Não derrubam Bastilhas? É verdade que não! Aquietam revoltas? É verdade que sim!
Mas que ninguém se iluda: a beleza é sempre subversiva.

Biografia de Jorge Tuna (Tirada da capa do disco): Jorge Tuna é Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra, cidade de onde é natural. Reconhece em Artur Paredes a figura tutelar fundadora da moderna guitarra de Coimbra; inicia em meados de cinquenta a aprendizagem e estudo do instrumento. Sempre acompanhado pelo Durval Moreirinhas, rapidamente atinge, no campo da composição e da execução, níveis pouco comuns no panorama artístico nacional.Enquanto estudante foi membro do Orfeão e da Tuna Académica.; inúmeras digressõe por terras de além fronteira, acompanhando os nomes mais representativos da canção de Coimbra – Zeca Afonso, Sutil Roque, Machado Soares, Adriano Correia de Oliveira e outros. Totalmente absorvido pela sua actividade profissional – professor da Universidade de Lisboa – aceita o desafio de alguns amigos e põe termo a um interregno de 20 anos; quebrado o silêncio, aqui vos deixo a presente obra.

Biografia de Durval Moreirinhas (tirada da mesma capa): Durval Moreirinhas é natural de Celorico de Basto. Com a ajuda e apoio de seu pai, grande amante e conhecedor da música coimbrã, bem cedo se iniciou no campo musical que ainda hoje é o seu – a viola de acompanhamento de fado, balada ou guitarra. Nomes grandes da canção de Coimbra foram por si acompanhados – Luís Goes, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Machado Soares, António Bernardino, e tantos outros. Também os maiores solistas de guitarra, com maior ou menor incidência temporal, foram por si acompanhados: Jorge Tuna, Eduardo Melo, António Portugal, António Andias, João Bagão, Octávio Sérgio, Fontes Rocha, etc. Fez parte dos grupos de fado que a seu tempo pontificaram nos organismos Académicos – Orfeão e Tuna – actuando em algumas das mais célebres salas de concerto mundiais.: Lincoln Center (N. York), Olympia (Paris), tendo até hoje colaborado em dezenas de gravações de discos e actuado em programas de rádio e televisão nacionais e estrangeiras.

posted by Octávio Sérgio at Sexta-feira, Março 18, 2005

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Tempo de Guitarra - Pauta de uma das suas maravilhosas peças para Guitarra Portuguesa - variante de Coimbra (transcrição de Pedro Pinto, um grande guitarrista da escola de Paulo Soares - Jójó).





Breve biografia, retirada do site do Portal do Fado, e as capas de alguns dos seus CD já editados.





Vamos pois ficar a aguardar por mais novidades, deste grande guitarrista da Escola de Coimbra.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

CANTO A COIMBRA

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A Guitarra Portuguesa e o Fado/Canção de Coimbra.

De uma outra grande paixão minha - a Guitarra Portuguesa - apresento aqui o resultado de uma pequena brincadeira que fizemos e que recentemente viu a luz do dia.

O convívio de apresentação decorreu no passado dia 18.ABR.2009, num jantar de confraternização de amigos e familiares que serviu, também, para homenagear alguns dos elementos do Grupo Canto a Coimbra que, infelizmente, por motivos de saúde, já não nos acompanham.


Capa do CD ...




Contra-Capa do CD ...




CD ...



Capa do Livro que acompanha o CD ...




Contra-Capa do Livro que acompanha o CD ...




Este CD que agora está disponível para os nossos amigos, contém 4 Peças Originais do próprio Grupo. Não quisemos assim deixar passar a oportunidade de dar o nosso pequeno contributo, ainda que modesto mas sincero e despretensioso, para a evolução e engrandecimento do Fado/Canção de Coimbra.

As peças referidas são:
- INDICATIVO, instrumental da autoria de Fernando Paulo e Henrique Simões;
- AMOR ETERNO, Letra de Alcides Cruz e Música de Henrique Simões e Fernando Paulo;
- SAUDADE QUANTA SAUDADE, Letra de Henrique Simões e Hermínio Tomé, Música de Henrique Simões e Fernando Paulo;
- COIMBRA MEU AMOR, Letra de Henrique Simões e Música de Henrique Simões e Fernando Paulo.


Conto aqui disponibilizar brevemente estas peças em formato mp3.

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terça-feira, 28 de abril de 2009

Guitarra Portuguesa - Lisboa

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Uma peça executada por uma geração mais nova ...




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Guitarra Portuguesa - Lisboa

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Outra peça ...



para mais tarde recordar ...
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Guitarra Portuguesa - Lisboa

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Para os amantes da guitarra portuguesa:




Uma peça da variante de Lisboa.
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sábado, 25 de abril de 2009

ACONSELHO VIVAMENTE ...

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ATENÇÃO: A AUDIÇÃO CONTINUADA DO SEU CONTEÚDO, PODE CAUSAR GRAVES PROBLEMAS DE SAÚDE: OS OUVIDOS FICAREM VICIADOS EM EXCELENTE MÚSICA!


Recebi o seguinte email:


«Amigo ou amiga:
havia-te enviado um e-mal dando conta do CD+LIVRO que produzo no momento.

A pedido da Universidade, o prazo de participação foi alargado até dia 30 de Abril.

Se quiseres juntar-te aos outros que já compraram e colocaram o seu nome, vai a este site.

Se a tua empresa quiser associar-se ao prestígio da Universidade de Coimbra nesta obra, também pode.

Se puderes ajudar na divulgação, reencaminha esta mensagem. Quem sabe... um amante da guitarra ainda não sabia deste projecto e lhe deste a oportunidade.

DIVULGA E PARTICIPA.

Seja qual for a tua decisão,
AGRADEÇO-A,
na certeza de que
A NOSSA AMIZADE MANTER-SE-Á INOXIDÁVEL.

DIVULGA E PARTICIPA
Grande Abraço!

Paulo Soares (Jójó






O site em questão é: http://www.paulosoares.com


Já tive a oportunidade de me inscrever (e solicitar a inclusão do meu nome, no Livro que acompanha o CD).

Por outro lado, também já ouvi, ainda que numa versão não editada, o conteúdo do CD.






O que vos posso dizer sobre o resultado do que ouvi é que: há muito tempo que não sentia os cabelos dos braços e das pernas a colocarem-se em pé...


Estou a ficar velho e lamechas? Talvez ....


Para quem gosta da guitarra portuguesa e da música genuína de Coimbra:
- Já existem inúmeros imitadores da família Paredes (e uns quantos oportunistas), mas esta viagem a que o CD nos leva é "AQUELA OPORTUNIDADE".

Depois não digam que não vos avisei.
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sábado, 11 de abril de 2009

MUDAR DE VIDA

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A propósito do tema "Mudar de Vida" de Carlos Paredes.

Esta foi a primeira peça para guitarra portuguesa que aprendi a executar (não a tocar, porque isso é para músicos, coisa que até hoje ainda não consegui atingir!!!).



Corria o já longínquo ano de 1987 e em simultâneo com a minha situação de Caloiro em Engenharia Electrotécnica na Universidade de Coimbra, decidi inscrever-me na escola de música da Tuna Académica da Universidade de Coimbra (eu e o António Feijão, mas que depois desistiu e inscreveu-se na Guitarra Clássica - Vulgo Viola).



http://www.tauc.net/

O nosso primeiro professor foi o Dr. Álvaro Aroso, exímio guitarrista. Devo reconhecer que sofreu um pouco com a minha pouca aptidão. Mas sofrer a bom sofrer com o meu ouvido, foi o nosso professor de Solfejo, o Prof. Travassos Cortez. Recordo ainda hoje as pausas forçadas que ele tinha que fazer (para fumar um cigarro) após insistentemente martelar uma nota no piano e me perguntar qual era ....

Esta música foi editada no Álbum de 1971 "Movimento Perpétuo" e foi composta para o filme MUDAR DE VIDA de Paulo Rocha (com Geraldo del Rey, Maria Barroso, Isabel Ruth), Portugal, 1966.
Deu origem a duas versões, uma (que é esta) chamada Mudar de Vida - Tema e uma outra, mais completa, que se chama Mudar de Vida - Musica de fundo.

Podem escutar e ver a música em vários locais, mas também aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=h3-MpibDFSk


(os 1:05m iniciais)


E numa excelente versão em Guitarra Clássica:

http://www.youtube.com/watch?v=VCO6LN5W1eo


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CARLOS PAREDES





Já agora e a propósito de Carlos Paredes, deixo-vos algumas notas sobre a sua vida e obra.

CARLOS PAREDES
(Coimbra, 16 de Fevereiro de 1925 — Lisboa, 23 de Julho de 2004)

Carlos Paredes foi um compositor e guitarrista português. Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - mantém um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições.




Conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.

Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo Paredes e José Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música.

Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho".

Em 1934, muda-se para Lisboa com a família, e abandona o violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai, do meu avô, bisavô e tetratavô".

Carlos Paredes inicia em 1939 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.




Em 1957 grava o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente "Carlos Paredes".

Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça.
Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!»

Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”.

Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro LP "Guitarra Portuguesa". Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.

A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».

Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de Julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.





"Quando eu morrer, morre a guitarra também.
O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo.
Se eu tiver de morrer.”


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Paredes

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Ainda sobre Carlos Paredes, escreveu RUI VIEIRA NERY, a propósito do último CD editado pelo musico "Canção para Titi - Os inéditos" - 1993:

Em Julho de 1993, já seriamente afectado pela doença que o havia de imobilizar, Carlos Paredes começou a gravar um novo álbum nos estúdios de Paço d’Arcos da Valentim de Carvalho. Em pelo menos uma das sessões registadas acompanhava-o Fernando Alvim, um velho amigo e o viola notável com quem tinha partilhado o essencial da sua discografia, nas restantes seria a vez de Luísa Amaro, a sua companheira dos últimos anos e nestes também ela um pilar da sua carreira e da sua vida. No estúdio estava Hugo Ribeiro, o mestre incontestado dos técnicos de som portugueses durante décadas.

Carlos Paredes estava entre amigos e entregue mais uma vez a profissionais excelentes.
Ao longo dos sucessivos períodos de gravação efectuados Paredes gravou um total de oito composições novas. Fisicamente debilitado e com plena consciência das limitações que isso acarretava ao domínio técnico absoluto que sempre caracterizara a sua relação com a guitarra, foi multiplicando até à exaustão os takes de cada obra: dez no “Mar Goês”, doze na “Canção para minha Mãe”, quatorze nos “Arcos do Jardim”.

Em alguns casos eram entradas de alguns compassos em breve interrompidas, noutros interpretações integrais logo repetidas por os dedos o terem traído numa passagem rápida menos limpa ou num ornamento menos claro. Por vezes percebe-se que houve uma pausa entre takes para uma audição insatisfeita, noutras ouvimo-lo mergulhar com uma precipitação quase angustiada de uma versão para a seguinte.

Ouvir hoje a sucessão completa destes registos é uma experiência emocional tremenda. Sentimo-nos testemunhas directas de um combate feroz e desesperado de um grande criador com o seu próprio corpo: a respiração, que os microfones captam impiedosamente, é ofegante, e há no som da guitarra uma tensão por vezes violenta, como se Paredes quisesse compensar com verdadeira raiva a firmeza que as mãos insistiam em negar-lhe. Mas ao mesmo tempo é fascinante constatar como este combate desigual vai sendo ganho a pulso e como de versão para versão os dedos vão respondendo melhor, as frases se vão lançando, as obras ganham corpo e se afirmam em toda a sua inspiração. Há casos em que ao longo deste processo a própria composição foi evoluindo, com alterações mais ou menos significativas na estrutura de cada peça, desde realinhamentos na sequência das respectivas secções a um crescente amadurecimento do desenho melódico e até mesmo a mudanças de tonalidade.

Carlos Paredes não pôde já terminar este álbum, onde em circunstâncias normais as oito peças gravadas poderiam sem dúvida ser ainda objecto de novas transformações, no plano criativo, à procura da sua forma definitiva, e de novas versões, no plano interpretativo, em busca de uma segurança técnica superior. Por outro lado, é de admitir que outras composições inéditas se juntassem progressivamente às já gravadas.

Quando as gravações terminaram, estava-se, pois, assumidamente, perante um trabalho incompleto, em termos tanto da sua dimensão última como do seu próprio processo de maturação, e sobretudo perante um trabalho produzido em circunstâncias de evidente limitação física do seu protagonista face à sua plena forma anterior. Nestas condições, a decisão de o editar ou não revestia-se de um melindre artístico e ético tanto maior quanto o autor não a podia já tomar ele próprio.

Passados os anos, e confirmada a trágica irreversibilidade do estado de saúde de Carlos Paredes, impunha-se uma decisão, e foi então que Luísa Amaro, que se considerava demasiado envolvida afectivamente para ter sobre este dilema a necessária distanciação crítica, e o editor David Ferreira, que desde o início sobrepôs a qualquer interesse de ordem comercial a avaliação do mérito artístico intrínseco do projecto, acabaram por decidir, para minha grande surpresa, pedir-me uma opinião profissional independente sobre a matéria e confiar-me uma cópia integral do conjunto do material gravado.

Foi com verdadeira angústia – confesso – que me preparei para ouvir as gravações, temendo o pior. Para lá de ter construído durante anos com Carlos Paredes uma relação pessoal que sem ser propriamente de intimidade foi sempre extremamente cordial e mesmo de grande partilha artística, com longas e estimulantes conversas sobre todos os tipos de Música, do repertório clássico e romântico ao Manerismo e ao Barroco musicais e destes ao universo do fado de Lisboa e de Coimbra, tenho desde que me conheço uma admiração sem limites por Carlos Paredes,

considero a sua discografia uma referência decisiva da Música e da Cultura portuguesas do século XX, em qualquer género, e lembrava-me ainda muito bem de o ouvir ao vivo, fascinado, no auge da sua carreira, mas recordava-me igualmente da fragilidade progressiva a que fora assistindo em algumas das suas derradeiras apresentações públicas. Não era essa a imagem final que quereria ver perpetuada em disco de um músico de semelhante estatura.

Da experiência da audição concentrada e seguida de todo o material disponível, dos takes interrompidos às sucessivas versões integrais de cada peça, depressa me ficou, contudo, uma sensação de enorme felicidade. Apesar da luta desesperada evidente que Carlos Paredes travava
consigo próprio naquelas sessões de 1993 e das limitações técnicas incontornáveis a que a doença já então o submetia, a sua Música impunha-se com uma força verdadeiramente mágica logo a partir dos primeiros compassos – pujante de inspiração e de rasgo, deslumbrante no seu lirismo inconfundível. Lá estava aquele impulso rítmico único, partindo das anacrusas iniciais suspensas no tempo para depois se despenharem no seu tempo forte de resolução e lançarem a partir daí frases longas e ondulantes, sempre ao sabor de uma dicção musical perfeita. Lá estavam aquelas tonalidades menores carregadas de melancolia, salpicadas aqui e além de traços modais e de passagens cromáticas que tornavam o desenrolar da melodia num mistério sempre imprevisível. Lá estava, mesmo que agora por vezes transformado num grito de pássaro ferido, aquele som intenso, vibrado, plangente, e lá estava até, aqui e além, ainda que dramatizado pelo esforço transparecente, um virtuosismo ocasional ainda surpreendente na sua musicalidade inteligente.

Como sucede frequentemente com as suas obras anteriores, as oito peças que Paredes aqui deixou gravadas têm uma estrutura flexível em forma de arco, com os sucessivos temas a encadearem-se uns nos outros, dentro de cada uma delas, de forma muito livre, como numa rapsódia, ou a disporem-se segundo esquemas de repetição simples. Em vários casos havia para cada obra, de entre as diversas versões registadas, pelo menos uma onde os problemas técnicos ocasionais dos takes anteriores tinham sido completamente ultrapassados e que podia, por isso mesmo, ser reproduzida integralmente no seu estado original. Nos outros casos, a própria natureza seccional das peças tornava fácil a montagem de uma versão final a partir de dois – ou no máximo de três – dos takes realizados, sem que essa montagem elementar implicasse qualquer manipulação excessiva de estúdio. Uma vez decidida a edição viria esse a ser o trabalho – excelente, de resto – de Luísa Amaro e do produtor Paulo Junqueiro.

Ouço agora mais uma vez o resultado final deste trabalho, livre das versões iniciais que constituem um documento humano fascinante mas que de algum modo obscurecem o grau de perfeição possível corporizado nesse resultado. Ao fazê-lo regressa-me insistentemente a ideia de que Carlos Paredes, plenamente ciente, já então, da gravidade do seu estado de saúde geral e sobretudo das dificuldades técnicas com que se debatia, não poderá por certo ter deixado de sentir que estas seriam muito provavelmente as suas últimas gravações. Nessa perspectiva é de sublinhar muito em particular a maneira como esta Música, privada de um virtuosismo que pudesse valer por si para lá de qualquer outra lógica de construção musical, se depura de tudo o que não é essencial para assentar apenas numa inspiração concentrada onde nada é acessório. E chama-nos também a atenção o modo como Paredes parece regressar aqui a um universo que é o das suas reminiscências de infância, evocando as figuras tutelares da Mãe e da Tia, os espaços familiares da Coimbra da sua meninice, e mesmo, de alguma forma, os sons tradicionais das baladas de Artur e Gonçalo Paredes, seu Pai e seu Avô, tudo isto com um olhar melancólico mas cheio de serenidade que nem a tensão dolorosa que marca alguns momentos da sua execução consegue perturbar.

Por tudo isto seria imperdoável que o que constitui verdadeiramente o testamento musical de Carlos Paredes não saísse a público, como documento artístico e humano de uma força emocional rara, para nos dar esta visão final que fecha o círculo de um meio século de carreira.

Uma carreira que nos ajudou como poucas neste século a reencontrarmo-nos connosco próprios e com a nossa identidade de portugueses.


RUI VIEIRA NERY
Universidade de Évora


Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/disco/68/carlosparedes03.html
http://www.attambur.com/OutrosSons/Portugal/carlos_paredes_cancoes_para_titi.htm
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Outros sites a visitar:

http://www.artistas-espectaculos.com/discos/pt/carlos+paredes.htm
http://guitarrasdecoimbra.blogspot.com/2008/03/carlos-paredes.html
http://aguitarraportuguesa.no.sapo.pt/
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